Microsoft

Questões mais detalhadas sobre como as marcas vencedoras conduziram suas ações e como elas percebem as expectativas para um novo tempo, pós-pandemia.

Perguntas

 

ABMN: Neste ano de xeque às relações formais dentro dos escritórios, mostrando que o trabalho remoto tem, em muitos casos, vantagens para ambos os lados – funcionários e empresas –, é de se imaginar que vários desses tornar-se-ão permanentes, que não retornarão ao que eram, uma vez que a pandemia seja domada. De que forma o distanciamento pode afetar o relacionamento entre os colegas de trabalho e o esprit de corps? Como a tecnologia pode ajudar a fortalecer essas situações?

MICROSOFT: Acreditamos que essa mudança repentina e global para o trabalho remoto, causada pela pandemia do Covid-19 no mundo, será um ponto de virada na maneira como trabalhamos, aprendemos e nos relacionamos. Vimos algo como dois anos de transformação digital em apenas dois meses e as empresas, pessoas e organizações estão se adaptando para incorporar a comunicação à distância em suas atividades. Embora já fosse um recurso muito utilizado, quase da noite para o dia, a videoconferência se tornou uma parte muito importante de nossas vidas e empregos. E não há dúvidas de que isso deixará um legado para o momento em que superarmos essa pandemia.

Somente em março, por exemplo, registramos 1000% de aumento no total de vídeo chamadas realizadas via Microsoft Teams. Em abril, chegamos a mais de 200 milhões de participantes em reuniões no Teams em um só dia, e mais de 4,1 bilhões de minutos de vídeo chamadas. Além disso, a necessidade de realizar mais chats, mais reuniões remotas e promover mais colaboração entre as pessoas fez o Teams atingir, em outubro, para 115 milhões de usuários por dia.  Em abril, eram 75 milhões de usuários, o que indica um aumento de 40 milhões de usuários no período.  Esse aumento considerável de usuários no Teams demonstra que, apesar de estarem reclusas em suas casas, as pessoas estão trabalhando, estudando e querem estar mais próximas umas das outras.

Os dados do Relatório de Tendências de Trabalho Remoto, que publicamos recentemente sobre o uso do Microsoft Teams, mostram que o mundo está percebendo que é possível haver uma conexão efetiva e segura à distância. É a primeira vez que o mundo passa por essa situação. Então, é difícil precisar, mas os pontos citados demonstram que este momento mudará a maneira como a humanidade trabalha e se conecta.

 

ABMN: A espiral da evolução tecnológica mantém-se acelerada e os processos de inclusão digital e de qualificação técnica precisam seguir esse ritmo. Como estabelecer um novo paradigma para a capacitação, que agora deve ser contínua e não discreta e o manter-se atualizado seja, esse sim, o “novo normal”?

MICROSOFT: Entendemos que a desigualdade é uma questão estrutural do país e não esperamos resolvê-la sozinhos. Também entendemos que esses desafios exigem grandes esforços e que as organizações precisam de um parceiro confiável que as ajude a seguir em frente. De acordo com a análise da consultoria, o país pode vivenciar dois cenários distintos: o benefício mínimo e o máximo com a adoção plena da IA, de acordo com os investimentos feitos na tecnologia. No primeiro cenário, espera-se que o uso de tecnologia acrescente 1,8 ponto percentual ao PIB brasileiro até 2030; no segundo cenário, o crescimento adicional poderia chegar a 4,2 pontos percentuais. Ambos os cenários pressupõem que o Brasil adote todas as funcionalidades de IA disponíveis hoje até 2030. O segundo cenário pressupõe que as empresas e o governo usam IA para expandir suas operações (não apenas para automatizar tarefas), e que o mercado de trabalho do Brasil pode atender toda a demanda por novos trabalhos habilitados para AI.

Acreditamos na criação de um “sistema de aprendizagem” que ajudará a capacitar quem precisa. Além disso, à medida que os sistemas de IA avançam também mudarão a natureza dos empregos. Alguns serão eliminados, mas outros serão criados. Ao mesmo tempo, acreditamos que existem alguns trabalhos que não podem ser substituídos por sistemas de IA, como os que requerem uma maior interação interpessoal, como ensino ou terapia. Sabemos esta é uma grande questão no Brasil e é por isso que temos na Escola do Trabalhador 4.0, uma plataforma de ensino remoto desenvolvida pela Secretaria Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia (SEPEC/ME) em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), que inclui cursos da Microsoft por meio da ferramenta Microsoft Community Training. Essa é uma das iniciativas focadas em empregabilidade do Microsoft Mais Brasil, nosso plano de compromisso com o país, anunciado em outubro. Disponível para brasileiros de todo o país, a plataforma terá a capacidade de atender até 5.5 milhões de candidatos a emprego até 2023 e a Microsoft irá disponibilizar 58 instrutores para oferecer orientação personalizada para até 315 mil usuários.

Além disso, a parceria com o Sistema Nacional de Emprego (SINE) proporcionará uma camada de inteligência artificial para traçar o perfil dos usuários, conectá-los às oportunidades de trabalho mais adequadas e também orientar sobre os cursos de qualificação ou requalificação mais adequados e disponíveis gratuitamente por meio da Escola do Trabalhador 4.0. Isso significa que quando um cidadão brasileiro acessar o SINE ele será orientado a participar da qualificação profissional gratuita de acordo com sua necessidade, ampliando suas oportunidades.

 

ABMN: Mais do que simplesmente a digitalização em massa, por que a preocupação da Microsoft é maior com educação, capacitação profissional, inovação e empreendedorismo?

MICROSOFT: Nosso objetivo na criação dessas ferramentas e tecnologias é aprimorar o trabalho que as pessoas fazem, liberando tempo para tarefas mais criativas e inovadoras e ele atravessa todas estas frentes de trabalho. As ferramentas e tecnologias de IA da Microsoft são usadas em locais de trabalho, salas de aula, home offices, laboratórios de pesquisa e instalações industriais em todo o mundo, além de empoderar todos, de estudantes a trabalhadores de fábricas.
Acreditamos que a educação e o empreendedorismo são os alicerces para o desenvolvimento do Brasil e para o fortalecimento da competitividade do país no exterior.  Em educação, temos o Office 365 gratuito para escolas, beneficiando alunos e professores, pensando nas necessidades de uma sala de aula moderna.

Para apoiar o empreendedorismo, temos o programa Microsoft for Startups, uma iniciativa que tem o objetivo de acelerar o crescimento das startups em todo o mundo. Por meio do programa, iremos investir globalmente US$ 500 milhões em dois anos (a iniciativa foi lançada em 2018). Desde 2011, mais de 7 mil startups já foram apoiadas no Brasil, um investimento superior a US$ 202 milhões na disponibilização de créditos em nuvem para startups.   Criamos também a Microsoft Participações que, em parceria com outras empresas e entidades, lançou em novembro de 2019 a Iniciativa “Women Entrepreneurship (WE)”, que oferece cursos de capacitação e investimentos para mulheres empreendedoras. A primeira grande iniciativa do WE partiu da Microsoft Participações que, em parceria com Sebrae Nacional e M8 Partners, estruturou o fundo WE Ventures, que tem como foco o investimento em startups lideradas por mulheres e que estejam no chamado estágio do “vale da morte”. Os aportes vão de R$ 1 milhão a R$ 5 milhões. O WE Ventures já recebeu apoio de mais duas empresas investidoras – Flex e Grupo Sabin – e pretende captar R$ 100 milhões em cinco anos, já tendo levantado R$ 30 milhões.

 

ABMN: Qual a principal meta da empresa no pós-pandemia, com a volta do presencial?

MICROSOFT: Ainda estamos pensando em como oferecer a melhor estrutura e apoio a todos os nossos colaboradores. Por enquanto, a empresa não tem nenhuma previsão de volta aos escritórios, todos os colaboradores estão trabalhando remotamente. Estruturar uma operação de home office não é algo trivial, principalmente para empresas que não estavam acostumadas a esse cenário antes da pandemia de COVID-19. Oferecer a infraestrutura tecnológica, com redes de acesso remoto e ferramentas de colaboração e comunicação online, é parte fundamental disso. Mas de nada valem esses recursos se a pessoa atrás da tela não estiver com saúde em dia para lidar com tudo o que o home office traz.

É bastante diferente trabalhar em isolamento social, tendo que equilibrar a rotina profissional, os cuidados com a casa, a própria alimentação, filhos e outros entes queridos. Não é tarefa simples e requer que empresas e líderes estejam mais atentos que nunca aos cuidados com a saúde mental e o bem-estar de suas equipes, fazendo o possível para que as conexões humanas não se percam.