Personalidades Inspiradoras

MULHERES LÍDERES

Mulheres em cargos de comando que reconhecidamente trazem estilos de gestão diferenciados e positivos nas organizações em que atuam.

 

 

Flávia Bittencourt é muito mais do que o nome por trás da Sephora Brasil, empresa que faz parte de um dos maiores conglomerados de luxo do mundo: a Louis Vuitton Maison Hermès (LVMH). Atual diretora geral da marca no país, ela é também Vice-Presidente Sênior na América Latina, e agora assume ainda as operações da Sephora no México. O segredo do sucesso aqui e mundo afora, segundo ela, é “focar no seu sonho”. “O importante é focar no seu sonho para se superar. E, claro, ter certeza de que aquele é realmente seu sonho. Porque no topo também tem muita ralação. Busque ser conhecida por algo que faz muito bem: a que fecha negócios como ninguém, a que é ótima em operações. Será seu brilho a mais”, ensina Flávia, que cursou Engenharia Química na Universidade Federal do Rio de Janeiro antes de estudar Marketing na Escola Superior de Propaganda e Marketing e se especializar com um MBA na Dom Cabral.

Apaixonada por Marketing, a executiva foi convidada para esse “emprego” dos sonhos em 2013, após uma trajetória de quase 20 anos na área, com passagens pela Telecom e pelo mercado financeiro. Ela usou sua experiência para inovar, e com foco no novo público brasileiro, ficou conhecida na companhia francesa da área de beleza e cosméticos por implementar um modelo inédito de quiosques no Brasil. A tarefa não foi fácil: o formato havia sido um fracasso em outros países e o CEO Mundial da marca, Christopher de Lapuente, foi bastante relutante. Mas Flávia, visionária e cheia de determinação, conseguiu uma pequena verba de marketing para apostar em seu projeto, e, em três meses, transformou sua ideia em um modelo de sucesso e exemplo para outras lojas da franquia. Não à toa, hoje é reconhecida no mercado como uma das maiores empreendedoras do varejo brasileiro. Arriba!

 

 

Suceder o pai no que ele fazia de melhor não é tarefa nada simples. Mais difícil ainda quando essa sucessão não estava nos planos da caçula da família – ainda jovem e inexperiente –, e se torna praticamente a única opção após acontecimentos que fugiam a qualquer planejamento. Pois foi assim com Manuella Curti de Souza, atual diretora-geral do Grupo Europa, fabricante de filtros de água. Em 2011, quando tinha apenas 26 anos, Manuella passou a integrar a direção geral da empresa após o assassinato do irmão mais velho – que vinha se preparando para o cargo – e o falecimento do pai seis meses depois, de um câncer que já perdurava 10 anos. “Precisava aceitar o momento e ver as lições que isso me traria. Hoje, me sinto muito privilegiada em ter assumido a empresa aos 26 anos e ter tomado várias bordoadas tão jovem. Sou muito grata por essa oportunidade de aprendizado e aceleração do meu desenvolvimento”, conta ela, que assumiu a direção após uma decisão colegiada dos sócios.

Advogada formada na PUC/SP e pós-graduada em Administração de Empresas pelo Insper, Manuella chegou a trabalhar na empresa como estagiária de Direito por dois anos e depois que se formou passou a atender as demandas da empresa e de outros clientes. Quando assumiu o controle geral, começou a fazer cursos de desenvolvimento para conseguir entender o significado da empresa em sua vida. “Passei por um processo de dois anos com uma consultoria, mas a partir do terceiro ano formatamos uma maneira dos colaboradores nos ensinarem. Antes da nossa marca, vem o que queremos para o mundo. Isso tem a ver com tratamento de água mas também com a forma que buscamos nos relacionar com as pessoas e as informações. Isso tem a ver com transparência, respeito e honestidade. Isso tem vibrado lá dentro e permeia muito nosso dia a dia e o planejamento estratégico. Eu sei o mundo que quero. É isso que me faz levantar todos os dias e gerir a empresa a partir da minha alma”, resume ela, sempre inovadora.

 

 

Arquiteta de formação, em 2004, Daniela Cruz foi pega de surpresa quando um amigo a convidou para abrir uma empresa de maquiagem. O desafio foi aceito, e ela deixou para trás o emprego estável para se dedicar à Vult Cosmética. A empresa teve um começo difícil, com a forte concorrência de produtos nacionais e importados, mas hoje é referência de maquiagem a preço acessível para a mulher brasileira. “Tenho orgulho de ter começado do zero”, conta a empresária, que, formada em Arquitetura e Urbanismo pela Faap, antes de empreender, atuou por nove anos no desenvolvimento de projetos para as construtoras do pai, Wilson Cruz, grande empresário da construção civil de Mogi das Cruzes.

Sua formação foi fundamental no sucesso da Vult, pois ela aliou o conhecimento na Arquitetura para inovar na qualidade da fabricação, no design e no preço dos produtos. “Fizemos um planejamento centrado no produto, garantindo a qualidade e aumentando o valor dele com embalagens funcionais”, destaca. Outro ponto fundamental, segundo Daniela, foi dar o “peso certo para cada problema”. E ela credita a esse peculiar ponto de vista o fato de ter consigo avançar com sua nova empresa sem demora. “Por não perder tempo com as coisas pequenas, tive tempo para as coisas importantes. Usei essa energia para construir”, explica.

Daniela se considera uma pessoa confiante e faz questão de mostrar para as pessoas que é importante ter coragem de se reinventar. “Que vocês tenham coragem de mudar a vida de vocês e, consequentemente, mudar a vida de outras pessoas que precisam de ajuda.”

 

JOVENS EXECUTIVOS

Empreendedores ou CEO´s que imprimem sua marca têm uma visão ampla do mercado em que atuam e são tão motivados pelos valores quanto pelos resultados.

 

 

O mineiro Eduardo L’Hotellier tinha uma carreira consistente como consultor estratégico e trabalhava mais de 12 horas por dia na Angra Partners, quando começou a empreender nas horas vagas. Eram os tempos áureos do Peixe Urbano e do Groupon, no fim de 2010, e as compras coletivas bombavam. Para ele, porém, faltava uma plataforma para contratação de prestadores de serviços, como pintores, encanadores e maridos de aluguel. Resolveu o problema adquirindo um site pré-pronto na Índia, com todas as funcionalidades necessárias para começar a montar seu marketplace. Fez isso com 700 dólares e, em duas semanas, colocou um protótipo no ar. A Cidade dos Bicos, com mil prestadores de serviços cadastrados, foi o embrião da GetNinjas.

A GetNinjas, plataforma para cotação e contratação de diversos profissionais, é uma das startups que mais teve investimentos em 2015, tendo recebido um aporte de R$ 40 milhões de reais da americana Tiger, valor que representa mais de 20% de toda a quantia investida em startups brasileiras durante o período.

A equipe do site GetNinjas triplicou de tamanho: hoje são 90 pessoas em São Paulo. E articula um mercado complexo e capilarizado que movimentou 200 milhões de reais pelo site no último ano. “Também começamos um projeto de contar a história dos nossos profissionais, com o intuito de mostrar como o GetNinjas está ajudando o Brasil a se tornar uma sociedade mais empreendedora”, adianta Eduardo.

 

 

Economista com MBA em Marketing pela PUC-RJ, e com experiências no mercado financeiro e no planejamento de uma das maiores redes varejistas de vestuário do país, o carioca Antonio Moreira Leite integrou-se à equipe do Grupo Trigo Franchising em 2005. Sua missão não era nada simples: assumir o marketing da rede de pizzarias Domino’s, que, então com 30 unidades no Brasil, estava indo de mal a pior. “Seis meses depois, demos início a uma rota de crescimento muito grande, que permanece até hoje”, diz Antonio, que tem como meta chegar a 25 novas unidades inauguradas até o fim do ano, totalizando 158 restaurantes.

Hoje, a marca representa cerca de 30% no faturamento do grupo, que também integra as marcas Spoleto e Koni Sushi. E, assim, Antonio não só conseguiu resgatar a rede de pizzarias como se tornou presidente do grupo. É o primeiro executivo independente no comando da empresa, que hoje conta com 640 restaurantes e movimenta mais de 1 bilhão de reais por ano. Agora, ele irá investir R$35 milhões para reformar os restaurantes da rede.

O curioso é que ele foi sondado pela primeira vez para trabalhar na Spoleto quando ainda fazia MBA, mas, na época, optou por não aceitar porque a rede ainda era pequena no país.

 

Personalidades contempladas – 2017 – 2013